quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A bolsa e o depoimento.




Nós revelamos: de jeitos e maneiras diferentes, mas revelamos.

Algumas mais tímidas, outras, escancaradas.

Coloridas, monocromáticas,

alegres, sóbrias, bagunçadas, organizadas,

úteis, fúteis,

grandes, pequenas,

abarrotadas,

minimalistas.


Para Luciene, "não representa nada! Só ter onde carregar minhas coisas!"


Para Fabiane, uma reflexão:
"Bolsa de mulher! Há quem carregue uma vida, há quem seja mais econômica.
A verdade é que nenhuma de nós consegue sair sem ela!"

















quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Descobertas - Deborah Fischer



No início da pesquisa uma surpresa: a imagem sugerida pela bolsa aberta, a própria essência do feminino.
A ideia de levar o público a refletir e, quem sabe, identificar-se com o objeto bolsa e sua relação com as representações do feminino. As relações entre dentro e fora, o que temos de íntimo, o que se mostra e o que se esconde.
A bolsa entendida aqui como algo estabilizador, que dá segurança e certezas às mulheres. Proposta de dar visibilidade ao que, muitas vezes, é tido como invisível. Observar, olhar para a bolsa e o que ela carrega: um pouco da nossa casa, o dia a dia, a vida das pessoas. A bolsa como um objeto de identidade feminina: marcas pessoais, afetivas e amorosas, marcas profissionais, as nossas digitais, objetos de consumo e de desejo femininos, tensões, medos, receios, faltas, alegrias. Algumas mais leves outras muito pesadas, mas todas com marcas identitárias importantes, muitas delas transitórias, móveis ou provisórias. Afinal, revelam o cotidiano de suas donas! Uma forma de representação da vida – bolsa-objeto, bolsa-casa, bolsa-família, bolsa-vestuário, bolsa-compromisso e quantas outras formas mais? A bolsa que guarda e revela um pouco de tudo sobre cada uma de nós: segredos, truques, mistérios, intimidades...
Citamos aqui, como um exemplo do peso afetivo que pode carregar uma bolsa, a obra da escritora Ligia Bojunga, A bolsa Amarela, em que a autora transfere para esse objeto a solução para os problemas da personagem Raquel, que busca na bolsa o lugar para guardar as suas três vontades, que teimam em engordar: a vontade de ser menino, a de crescer e a de ser escritora.
Poderíamos pensar no objeto bolsa como uma marca de pertencimento à sociedade contemporânea? Pensar dessa forma implica em pensar a igualdade na diferença – todas as mulheres, ou grande parte delas, têm bolsas, às vezes uma coleção delas, mas nenhuma delas jamais será igual à outra, pois cada uma delas leva o que temos de diferente, as nossas marcas mais profundas, mais íntimas, a produção do que é diferente, do que pertence ao individual. Nesse sentido, é plural e ao mesmo tempo singular.
“A arte não é pureza, é purificação, arte não é liberdade, é libertação... E a arte, imagino, não é inocência, é tornar-se inocente.”
Clarice Lispector, A descoberta do mundo, F. Alves, 1992.

domingo, 3 de outubro de 2010

O início

Mulheres foram convidadas a abrirem suas bolsas e mostrarem o universo feminino escondido por trás de panos, couros, linhas ou tecidos sintéticos. As bolsas abertas foram fotografadas, as fotografias foram reveladas e posteriormente analisadas pelas artistas, montando um painel de fotos e de partes delas. Após, as colaboradoras da obra foram desafiadas a responderem à seguinte questão: O que a sua bolsa representa para você? Alguns dos fragmentos das respostas foram selecionados e fazem parte da produção artística.